Vorcaro segue preso e Mendonça revela crimes ainda mais graves

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O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a prisão do banqueiro ostentação Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. Mais importante que isso: o voto de 23 páginas do ministro André Mendonça revelou detalhes devastadores sobre a organização criminosa que vão muito além do que se conhecia até agora. O julgamento ainda não terminou — Gilmar Mendes, o ministro do pátio dos milagres dos corruptos, ainda não votou quando este texto foi escrito —, mas a vitória já está consolidada.

A primeira revelação é explosiva: a Polícia Federal (PF) analisou apenas um celular de Vorcaro. Há oito celulares ainda por examinar. Tudo o que se descobriu até agora, como contratos milionários, mensagens com Alexandre de Moraes, degustação de uísque Macallan em Londres, relações sombrias com Dias Toffoli, veio de um único aparelho. Oito celulares aguardam perícia. As bombas que ainda vão explodir podem ser muito maiores.

A segunda: Mendonça comprovou que o grupo “A Turma” não era mero grupo de WhatsApp, como alegou a defesa. Era um grupo armado, miliciano, que praticava ameaças e violência. O ministro citou exemplo concreto: um ex-capitão do barco de Vorcaro foi ameaçado por sete milicianos controlados pelo banqueiro.

A terceira: esse grupo armado ainda está ativo. Mendonça revelou que “A Turma” pode ter até seis membros ainda não identificados que estão à solta. Nas palavras do ministro: “A organização ainda se apresenta como uma perigosa ameaça em estado latente, pois conta com integrantes que ainda estão à solta.”

A quarta: durante a operação, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) interceptou, na BR-381, dois suspeitos do núcleo tecnológico da organização — “os meninos” —, responsáveis por hackeamento e invasão digital.

A quinta: Mendonça revelou investigação específica sobre o “Projeto DV”, tentativa de Vorcaro de arregimentar influenciadores oferecendo até R$ 2 milhões para veicular conteúdo favorável a ele e questionar o Banco Central (BC). Isso não é exercício de liberdade de expressão; é obstrução de investigações.

A sexta: há risco concreto de fuga. Vorcaro está tentando vender aeronave avaliada em R$ 538 milhões por US$ 80 milhões e, da primeira vez em que foi preso, estava embarcando para Dubai, conhecido paraíso fiscal, onde Vorcaro e seus bilhões poderiam desaparecer da face da Terra.

Coincidentemente, Dubai foi o local escolhido por Moraes e sua esposa, Viviane Barci, a advogada mais cara do mundo, para passar as férias no final do ano passado. Pode ser tudo mais uma grande coincidência, mas, no Brasil, esse tipo de coincidência é digno de nota, porque, não raro, esconde esquemas, conchavos, desvios.

A sétima: o bloqueio de R$ 2,2 bilhões na conta do pai de Vorcaro na Reag, aquela gestora investigada por lavagem de dinheiro para o PCC. A defesa negou que existisse esse valor, mas Mendonça provou que o bloqueio já havia sido determinado por Toffoli em 14 de janeiro. Dois bilhões e duzentos milhões de reais na conta do pai.

Mendonça rebateu, ponto a ponto, todos os argumentos da defesa em voto técnico e devastador. Isso mostra o que acontece quando há ministro sério investigando: as provas aparecem, a lei funciona, a Justiça acontece. Os ministros Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam o voto pela manutenção da prisão.

Vorcaro está preso. Com grupo armado ativo, hackers à solta, tentativa de venda de aeronave, bilhões escondidos, projeto de manipulação com influenciadores e oito celulares ainda não analisados, a pressão sobre o banqueiro só aumenta. E, quando a pressão aumenta, delações acontecem.

A qualquer momento, podemos ter uma delação explosiva de Daniel Vorcaro. Com tudo o que ele sabe, com todos que ele conhece, com todas as mensagens que ainda não vieram à tona, uma colaboração premiada pode fazer o que já se sabe do caso Master parecer brincadeira de criança perto do que está por vir.

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