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Desvalorização de carros: Valor real chega a ser 20x menor que o da tabela Leave a comment

A desvalorização efetiva de veículos no mercado brasileiro pode superar consideravelmente os valores indicados por tabelas de referência. Uma pesquisa recente, divulgada ao segmento automotivo, apontou que a flutuação do preço de mercado de um automóvel pode divergir muito das projeções, criando uma discrepagem que acarreta riscos financeiros.

Essa análise foi apresentada em um evento setorial por J. R. Caporal, CEO da Mega Dealer, e Bruno Leite Ferreira, diretor da Auto Avaliar. Conforme os especialistas, essa diferença entre o preço praticado no mercado e o valor de referência pode gerar prejuízos financeiros substanciais, principalmente para companhias de locação e empresas com extensas frotas.

### Carro parado representa prejuízo semanal

Um dos pontos de preocupação é o denominado risco de capital. Ele engloba a pressão nos preços gerada por lançamentos recentes, os descontos em veículos zero quilômetro e o período que um carro seminovo leva para ser comercializado. Manter um automóvel sem uso no estoque tem um custo elevado.

Um exemplo prático demonstra que a combinação da desvalorização com os custos financeiros pode consumir milhares de reais do valor de um veículo em apenas um mês. O prejuízo pode chegar a centenas de reais por cada semana que o carro permanece sem ser vendido.

Para diminuir essas perdas, sugere-se a implementação de quatro ações essenciais. As empresas devem adquirir automóveis de maneira seletiva, monitorar a desvalorização continuamente, priorizar a rotação rápida do estoque em detrimento de uma alta margem de lucro por venda única e, por fim, reiniciar o ciclo com bens mais estratégicos.

### Reforma tributária também afeta o setor

Outro desafio debatido na indústria é o efeito da reforma tributária sobre o capital de giro das locadoras. Com o novo sistema de “pagamento dividido”, que está sendo implementado progressivamente, o imposto será recolhido de forma automática no momento da operação, e não mais calculado e pago posteriormente pela empresa.

Essa modificação exige maior transparência na distinção entre o preço do veículo e a carga tributária. O impacto pode ser mais significativo para companhias com menor capital de giro e para aquelas que adquiriram frotas sob o regime fiscal anterior, mas realizarão a revenda já sob as novas diretrizes.

O segmento de locação de veículos é um dos que mais acompanha de perto essas mudanças. Dados do Sindloc SP (Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores do Estado de São Paulo) indicam que, no estado, o setor conta com milhares de locadoras associadas e uma frota circulante de aproximadamente um milhão de veículos, avaliada em mais de R$ 100 bilhões.

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