3 pontos-chave
–O Magazine Luiza registrou lucro líquido ajustado de R$ 124,7 milhões (US$ 24 milhões) no 4T25, uma queda de 10,5% ano a ano, mas esmagando o consenso da Bloomberg de apenas R$ 30 milhões, provando que o varejista ainda pode gerar lucro com a taxa Selic de referência do Brasil de 15%.
–As vendas nas lojas físicas aumentaram 8,7%, para R$ 6,0 bilhões (US$ 1,15 bilhão), com as vendas nas mesmas lojas aumentando 8,4%, ganhando participação de mercado em um mercado de varejo estável – enquanto o comércio eletrônico caiu 5,3%, já que a empresa evitou deliberadamente guerras de preços baixos com Mercado Livre, Shopee e Amazon.
–A LuizaCred, braço de cartões de crédito, obteve lucro de R$ 270,6 milhões (US$ 52 milhões), um salto anual de 87% com a melhoria das métricas de inadimplência, validando a estratégia do ecossistema de cinco anos que agora abrange fintech, logística, publicidade e serviços em nuvem.
Lucro do Magazine Luiza: o que aconteceu no quarto trimestre de 2025
01O que aconteceu
O Magazine Luiza, um dos maiores varejistas omnicanal do Brasil que opera sob a marca Magalu com um ecossistema integrado que abrange eletrônicos, fintech, logística e serviços em nuvem, divulgou os resultados do quarto trimestre de 2025 em 12 de março que destacaram a resiliência em meio ao ambiente de taxas de juros punitivo do Brasil. Os lucros do Magazine Luiza são acompanhados de perto pelo The Rio Times como parte de sua cobertura de notícias financeiras na América Latina sobre empresas de consumo listadas na B3.
O lucro líquido reportado caiu 55,4%, para R$ 131,6 milhões (US$ 25 milhões), arrastado por um aumento de 46,8% nas despesas financeiras, à medida que a taxa Selic subiu de 10,75% no início do 4T24 para 15,0% no final do 4T25. O lucro líquido ajustado, no entanto, mostrou-se muito mais resiliente em R$ 124,7 milhões (US$ 24 milhões), queda de apenas 10,5% e mais que quatro vezes o consenso da Bloomberg de R$ 30 milhões.
O EBITDA ajustado aumentou 2,5%, para R$ 867,3 milhões (US$ 166 milhões), também superando as estimativas da Bloomberg de R$ 855 milhões, com a margem se mantendo estável em 7,8%. A receita líquida cresceu 3,4%, para R$ 11,1 bilhões (US$ 2,12 bilhões), enquanto a receita bruta avançou 3,3%, para R$ 13,8 bilhões (US$ 2,63 bilhões). As ações da MGLU3 eram negociadas em torno de R$ 10,09 em 11 de março, alta de cerca de 62% nos últimos doze meses.
Principais fatores por trás do desempenho do Magazine Luiza no quarto trimestre de 2025
02Principais motivadores
Lojas físicas ganhando participação de mercado
Lojas físicas ganhando participação de mercado
As vendas nas lojas físicas aumentaram 8,7% ano a ano no 4T25, com as vendas nas mesmas lojas avançando 8,4%, superando significativamente um mercado doméstico físico que estava essencialmente estável em 2025. No ano inteiro, as receitas nas lojas ultrapassaram R$ 20 bilhões pela primeira vez, crescendo 6% anualmente. O gerente de RI destacou que o posicionamento omnicanal, a gestão de estoques e a integração do ecossistema do Magalu foram os principais diferenciais que impulsionaram esses ganhos.
In late 2025, the company inaugurated the Galeria Magalu on São Paulo’s Avenida Paulista, housing five ecosystem brands — Magalu, KaBuM!, NetshoesÉpoca Cosméticos e Estante Virtual — sob o mesmo teto, com tráfego esperado de 90 mil visitantes por mês. A administração vê potencial para replicar esse conceito em aproximadamente 50 lojas ao longo do tempo.
Comércio eletrônico: margem sobre volume
Comércio eletrônico: margem sobre volume
As vendas totais de comércio eletrônico caíram 5,3%, para R$ 12,2 bilhões (US$ 2,33 bilhões), com o segmento de marketplace (3P) caindo 11,7%, para R$ 4,5 bilhões (US$ 859 milhões), à medida que a empresa se afastava deliberadamente da concorrência de preços baixos. O comércio eletrônico primário (1P) se mostrou mais resiliente, com R$ 7,6 bilhões (US$ 1,45 bilhão). O GMV total, incluindo mercado, caiu 1,1%, para R$ 18,2 bilhões (US$ 3,47 bilhões).
A administração optou explicitamente por priorizar a lucratividade em vez do crescimento da receita no canal digital, observando que o Magalu continua ganhando participação em categorias de médio a alto ticket, enquanto cede terreno em itens de baixo valor para concorrentes globais como Shopee, Amazon e Mercado Livre.
LuizaCred e o Escudo Ecossistêmico
LuizaCred e o Escudo Ecossistêmico
A LuizaCred registrou lucro de R$ 270,6 milhões (US$ 52 milhões), um aumento de 87% em relação ao ano anterior, impulsionado pela expansão da carteira de crédito e pela melhoria da qualidade dos ativos. A inadimplência entre 15 e 30 dias diminuiu 0,3 pontos percentuais, enquanto os atrasos acima de 90 dias caíram 0,6 pontos percentuais. A carteira de cartões de crédito atingiu R$ 20,8 bilhões (US$ 3,97 bilhões), com 5,7 milhões de cartões ativos e faturamento trimestral de cartões de R$ 16,6 bilhões (US$ 3,17 bilhões). Separadamente, o braço logístico Magalog cresceu 47% em receita no ano fiscal de 2025, e a unidade Magalu Cloud encerrou o ano com 1.200 clientes externos hospedando aproximadamente 55% das cargas de trabalho próprias do Magalu.
Detalhe financeiro do 4º trimestre de 2025 do Magazine Luiza
03Detalhe Financeiro
Receita e Margens
Receita e Margens
A receita líquida aumentou 3,4%, para R$ 11,1 bilhões (US$ 2,12 bilhões) no 4T25. O lucro bruto ajustado cresceu 3,1%, para R$ 3,3 bilhões (US$ 630 milhões), com a margem bruta ajustada estável em 30,0%. A empresa destacou especificamente a expansão das margens brutas em mercadorias, refletindo o seu foco em categorias de produtos com margens mais elevadas e posicionamento premium.
O EBITDA reportado (incluindo itens não recorrentes) atingiu R$ 947,8 milhões (US$ 181 milhões), um aumento de 8,0%, com uma margem de 8,5% — bem acima do consenso da Bloomberg de R$ 855 milhões com margem de 7,7%. Para o ano fiscal de 2025, o EBITDA ajustado cresceu 3,4%, para R$ 3,06 bilhões (US$ 584 milhões), com a margem do ano aumentando 0,1 ponto percentual, para 7,9%.
Despesas Financeiras e Posição de Caixa
Despesas Financeiras e Posição de Caixa
As despesas financeiras líquidas aumentaram 46,8%, para R$ 572,5 milhões (US$ 109 milhões), representando 5,1% da receita líquida – um aumento de 1,5 ponto percentual em relação ao 4T24. O aumento foi impulsionado quase inteiramente pela subida da taxa Selic de 10,75% para 15,0% no período. Excluindo os juros relacionados ao arrendamento, a despesa financeira líquida foi de R$ 483,8 milhões (US$ 92 milhões), ou 4,3% da receita líquida. No ano fiscal de 2025, as despesas financeiras totalizaram R$ 2,0 bilhões (US$ 382 milhões), representando 5,3% da receita líquida.
A geração operacional de caixa de R$ 2,2 bilhões (US$ 420 milhões) no 4T25 – R$ 2,7 bilhões (US$ 515 milhões) para o ano inteiro – foi impulsionada pelos resultados operacionais e pela melhoria do capital de giro. A empresa encerrou o trimestre com caixa total de R$ 8,0 bilhões (US$ 1,53 bilhão) e caixa líquido ajustado de R$ 3,1 bilhões (US$ 591 milhões).
O lucro líquido reportado para o ano inteiro caiu 54,4%, para R$ 204,6 milhões (US$ 39 milhões), enquanto o lucro líquido ajustado caiu 42,6%, para R$ 158,9 milhões (US$ 30 milhões). A diferença entre os números GAAP e ajustados reflete provisões de estoque, reversões de impostos e efeitos do método de equivalência patrimonial relacionados à LuizaCred.
Sinais de Gestão do Magazine Luiza
Sinais de Gestão
A empresa concluiu o seu ciclo de cinco anos de construção de ecossistemas e está a entrar numa nova fase centrada na inteligência artificial, sob o lema “AI Commerce”. As principais iniciativas incluem o assistente de compras “Lu” baseado no WhatsApp, curadoria de produtos com tecnologia de IA e integração mais profunda da plataforma financeira MagaluPay SCFI na jornada de compra.
A administração está otimista em relação ao ciclo de redução de taxas previsto, observando três benefícios diretos: redução imediata nas despesas financeiras por meio da redução do CDI, recuperação gradual do poder de compra do consumidor e do volume de vendas e melhoria da economia de crédito na LuizaCred, permitindo melhores condições de parcelamento. A reunião do Copom de 18 de março deverá iniciar cortes nas taxas.
Magalog e Magalu Ads atenderão cada vez mais clientes externos, enquanto a parceria com AliExpress será expandida para capturar a demanda de baixo custo sem sacrificar o posicionamento premium da marca principal. O MagaluPay SCFI já administra cerca de 10% da originação de crédito ao consumidor e espera-se que proporcione eficiências fiscais quando estiver totalmente dimensionado.
O que assistir a seguir no Magazine Luiza
04Assistir a seguir
A decisão do Copom de 18 de março será o catalisador imediato. Os mercados antecipam o início do ciclo de redução das taxas no Brasil, com os traders debatendo entre uma redução de 25 pontos-base e 50 pontos-base da atual Selic de 15%. Qualquer flexibilização reduz diretamente o peso das despesas financeiras do Magalu, que consumiu 5,1% da receita líquida no 4T25.
Espera-se que a Copa do Mundo FIFA de 2026 aumente a demanda por eletrônicos – especialmente televisores – que está no centro da experiência do Magalu em bens duráveis. O JPMorgan projeta uma aceleração gradual nas vendas nas mesmas lojas para cerca de 7% até 2026, parcialmente apoiada por esta procura impulsionada por eventos.
O desempenho do conceito da Galeria Magalu e sua potencial implantação em aproximadamente 50 localidades serão acompanhados de perto como prova da estratégia do ecossistema. Além disso, a dinâmica competitiva da parceria Casas Bahia-Mercado Livre e a expansão contínua da Shopee e da Amazon no Brasil moldarão o cenário do comércio eletrônico que o Magalu deve navegar.
Resultados Trimestrais do Magazine Luiza (4T25 vs 4T24)
| Métrica | 4T24 | 4T25 | % de variação |
|---|---|---|---|
| Receita Líquida | R$ 10,7 bilhões | R$ 11,1 bilhões (US$ 2,12 bilhões) | +3,4% |
| Adj. Lucro bruto | R$ 3,2 bilhões | R$ 3,3 bilhões (US$ 630 milhões) | +3,1% |
| Adj. Margem Bruta | 30,0% | 30,0% | plano |
| Adj. EBITDA | R$ 846 milhões | R$ 867 milhões (US$ 166 milhões) | +2,5% |
| Adj. Margem EBITDA | 7,8% | 7,8% | plano |
| Despesa Financeira Líquida | R$ 390 milhões | R$ 573 milhões (US$ 109 milhões) | +46,8% |
| Adj. Resultado líquido | R$ 139 milhões | R$ 125 milhões (US$ 24 milhões) | −10,5% |
| Lucro Líquido Reportado | R$ 295 milhões | R$ 132 milhões (US$ 25 milhões) | −55,4% |
Resultados Anuais do Magazine Luiza (FY2025 vs FY2024)
| Métrica | Ano fiscal de 2024 | Ano fiscal de 2025 | % de variação |
|---|---|---|---|
| Receita Líquida | R$ 38,1 bilhões | R$ 38,7 bilhões (US$ 7,39 bilhões) | +1,7% |
| Adj. EBITDA | R$ 2,96 bilhões | R$ 3,06 bilhões (US$ 584 milhões) | +3,4% |
| Adj. Margem EBITDA | 7,8% | 7,9% | +0,1 pp |
| EBITDA reportado | R$ 2,87 bilhões | R$ 3,17 bilhões (US$ 605 milhões) | +10,6% |
| Adj. Resultado líquido | R$ 277 milhões | R$ 159 milhões (US$ 30 milhões) | −42,6% |
| Lucro Líquido Reportado | R$ 449 milhões | R$ 205 milhões (US$ 39 milhões) | −54,4% |
| Fluxo de caixa operacional | – | R$ 2,7 bilhões (US$ 515 milhões) | – |
| Dinheiro Total | – | R$ 8,0 bilhões (US$ 1,53 bilhão) | – |
Composição das Vendas do Magazine Luiza (4T25)
| Canal | 4T25 | Variação anual |
|---|---|---|
| GMV total (incluindo 3P) | R$ 18,2 bilhões (US$ 3,47 bilhões) | −1,1% |
| Lojas Físicas | R$ 6,0 bilhões (US$ 1,15 bilhão) | +8,7% |
| Total de comércio eletrônico | R$ 12,2 bilhões (US$ 2,33 bilhões) | −5,3% |
| — 1P (estoque próprio) | R$ 7,6 bilhões (US$ 1,45 bilhão) | – |
| – 3P (mercado) | R$ 4,5 bilhões (US$ 859 milhões) | −11,7% |
| SSS (Físico) | – | +8,4% |
| MagaluPay TPV | – | R$ 28,2 bilhões (US$ 5,38 bilhões) |
Riscos enfrentados pelo Magazine Luiza
05Riscos
A sensibilidade às taxas de juro continua a ser o risco dominante. Cada movimento de 100 pontos-base na Selic impacta diretamente a linha de despesas financeiras anuais de R$ 2 bilhões do Magalu. Se o previsto ciclo de redução das taxas estagnar — ou se os acontecimentos globais forçarem o BCB a fazer uma pausa — a tese da recuperação dos lucros enfraquece consideravelmente.
A intensidade competitiva do comércio eletrônico continua a aumentar. O Mercado Livre adiciona cerca de R$ 44 bilhões de GMV incremental anualmente no Brasil contra a base total de R$ 45 bilhões do Magalu. A parceria Casas Bahia-Mercado Livre aperta ainda mais o cenário competitivo, e Shopee e Amazon não mostram sinais de recuar nos preços agressivos em itens de baixo custo.
A avaliação é controversa, acrescentando uma camada de incerteza às perspectivas. O JPMorgan mantém recomendação de venda com preço-alvo de R$ 6, argumentando que as ações são negociadas com prêmio injustificado e alavancagem de 4–5x. O consenso de 15 analistas mostra apenas 2 compras contra 4 vendas e 9 retenções, com meta média de R$ 10,20 —pouco acima do preço atual. Os otimistas apontam para a transformação do ecossistema e a opcionalidade de redução das taxas, enquanto os pessimistas destacam a erosão estrutural da quota de mercado online.
Contexto do Setor Varejista Brasileiro
Contexto do Setor
O setor de consumo e varejo do Brasil entra em 2026 sob a pressão de uma Selic de 15% que restringiu o consumo de bens duráveis dependente de crédito por mais de um ano. A capacidade do Magalu de manter o lucro por quatro trimestres consecutivos nesse nível de taxa o distingue de concorrentes mais fracos — a Casas Bahia passou por recuperação extrajudicial em 2024 e ainda está em reestruturação.
A divisão estrutural do sector continua a aumentar entre plataformas globais de comércio electrónico com poucos activos (Mercado Livre, Shopee, Amazon), que investem em escala com capital internacional, e retalhistas omnicanal tradicionais como o Magalu, que devem gerar lucros a partir da infra-estrutura existente. A mudança do Magalu para categorias mais caras e a monetização do ecossistema representa uma adaptação a esta bifurcação.
Com o início previsto da flexibilização monetária em março de 2026, as ações do varejo brasileiro já foram reavaliadas: MGLU3 subiu mais de 60% em doze meses. A questão-chave além dos resultados do Magazine Luiza deste trimestre é se o ritmo de corte das taxas será suficiente para reduzir significativamente os encargos financeiros dos retalhistas e reacender o apetite pelo crédito ao consumidor antes que a dinâmica competitiva corroa ainda mais as margens.
